45 dias de norte: dois punks brasileiros sem dinheiro pela Europa – dia 9

Em 2012, fiz uma viagem sem muito dinheiro junto com um amigo pela Europa, abusando de hospedagem solidária, comida barata, comida grátis, comida do lixo e de vez em quando comida boa.

Na época, escrevi um diário, agora publicado dia por dia neste blog.

Dia 9 – Molho de tomate

O dia começou com Amanda indo trabalhar.  Allan e eu enrolamos pra caralho pra levantar, e quando o fizemos ele foi lavar cuecas e eu escrever o relato de ontem. Depois de tomar banho, resolvemos finalmente ir dar rolê na cidade velha de Estocolmo, ver alguns pontos turísticos e procurar o Kaffe 44, café anarquista que a Tové tinha citado. Saímos por volta de 12h40, e tínhamos fome, então fomos ao mercado, depois de passar numa lojinha de segunda mão onde tinha camisa do Brasil do Ronaldinho, da França do Barthez, do Barcelona do Larsson e uma da Suécia de visitante bonitona, mas não compramos nada.

Os preços do mercado na Suécia são estranhos. Você pode comprar dois brócolis por 15 kronas e dois pepinos pelo mesmo valor. Um suco de 2 litros custa 13 kronas, enquanto uma latinha de Coca de 330ml custa 10. Nisso, resolvemos, pra matar a saudade de casa, fazer nosso prato de sempre: macarrão. 12 kronas 1kg de macarrão, 33 kronas 1kg de cogumelos (não compramos um quilo, mas compramos bastante e ainda assim saiu 13 kronas, no Brasil seria uns 30 conto a mesma quantidade), o suco de 2 litros supracitado e faltava um molho de tomate. Allan não queria molho, eu queria, mas o mais em conta que achamos no sentido custo/benefício era um de 500ml por 27 kronas. Meio contrariado, e indignado com um molho custar mais que o resto dos comes juntos, Allan aceitou o molho Dolmio, que segundo ele tem um filho da puta de bigode no rótulo.

– Dolmio um tiro na testa da próxima vez que você comprar um bagulho desse, Mandioca.

– Eu comprar não, a gente comprar.

– Eu não queria molho!

– Então porque deu dinheiro?

E assim sucessivamente numa discussão eterna na qual eu ria um monte. Desde então e por todo o dia, e creio que pro resto da viagem, o molho se transformaria em unidade de medida. No espírito da zoeira por ter feito o Allan tirar as aranhas do bolso, fiquei brincando que era o melhor molho do mundo, um molho completo, com alho, cebola, páprica, cebolinha, cominho e a porra toda (tinha metade dessas coisas, vai). Cozinhamos com Allan reclamando sem parar da porra do molho, eu dando risada e tirando uma, e comemos (o molho era bom pra caralho mesmo, pela noite Allan viria a admitir isso). Saímos de casa por volta de 14h e como bons turistas pegamos o metrô pro lado errado, o que fez com que descêssemos duas estações depois e esperássemos 20min pra sair o próximo (é meio metrô, meio trem). Nessa espera achamos uns jornais no banco (em todos os países que fomos achamos jornais no metrô) e lá tinha umas promoções de molho de tomate tipo oito molhos por 10 kronas, outros de 5,90 etc. Allan se indignava e eu ria.

– Esses molhos nunca serão Dolmio, nunca. Dolmio você só abre e come com colher, nem precisa do macarrão.

O metrô finalmente saiu e finalmente descemos em Gullmarsplan. Começamos a olhar no mapa gay de Estocolmo (que pegamos na livraria queer) os lugares onde Tové tinha escrito pontos legais pra conhecer. O primeiro deles era o Globen, um prédio em forma de globo (segundo eles o maior prédio circular do mundo[1]) onde rolam eventos e shows. Nem entramos porque tava fechado e nem era interessante, mas do lado dele estava o estádio do Hammarby, time do “sul do sul” de Estocolmo cujo apelido é Bajen e que, saberíamos depois, é o time dos operários, da parte mais pobre da cidade, etc. Joga na segunda divisão atualmente. A princípio, o estádio, que de um lado parece um prédio de escritórios, estava fechado, mas demos a volta nele todo e achamos um portão aberto. Aproveitando a deixa do “desculpa, somos brasileiros e nem sabíamos” entramos NO GRAMADO, onde alguns funcionários davam um tapa nos buracos da grama, já que tinha tido treino no dia anterior. Creio que a capacidade do estádio deve ser de uns 10 a 12 mil torcedores[2]. Tirei umas fotos e depois de uns minutos um dos funcionários, que parecia um pouco o Ibrahimovic (bigode e rabo de cavalo hipsters a la Ibra são totalmente moda aqui), veio dizer que não podíamos estar ali. Expliquei que éramos brasileiros e o cara sabia algumas palavras em português, tipo “brasileiros”, “amigos” e “porra”. Perguntou se queríamos jogar futebol, dissemos que queríamos jogar e conhecer estádios, e ele me disse que o estádio da cidade, municipal, era muito bonito. Marcamos ele no mapa e saímos, conforme ele pediu. Depois de sair eu percebi que ele talvez tivesse querendo nos convidar pra jogar e sem querer cortamos ele, então voltei e troquei idéia com ele e uma funcionária, que falaram sobre o estádio do AIK também mas não sabiam nada sobre onde jogar futebol, o cara disse que não era muito a dele. Saímos e seguimos pela ponte em direção à cidade velha.

Como Estocolmo tem várias ilhas, tem também várias pontes. Essa que pegamos tinha o metrô/trem correndo ao lado da rodovia. A separação entre as duas coisas é feita por uma grade baixa, menos de 2m, com arame farpado em algumas partes. Quando estávamos no meio da ponte, ao lado de uma estação, vimos uma bola de futebol ao lado do trilho, entre ele e a rodovia. Bola boa, da Adidas, oficial. Pensamos um pouco se valia a pena e enquanto eu olhava por policiais o Allan pulou a grade e pegou a bola, sob o olhar descrente de algumas poucas pessoas. Estava meio murcha, com dois furos na parte exterior parecendo uma mordida de cachorro, mas inteira.

– Essa bola deve custar uns 20 molhos de tomate – disse Allan

– No Brasil uma bola dessas é uns 400 conto fácil.

E seguimos caminho com a bola nas mãos, agora sim completamente caracterizados como brasileiros (eu ainda vestia a camisa do Impedimento[3] com a foto do Valderrama). A próxima parada, em Södermalm, era o Kaffe 44. Andamos e andamos e andamos e achamos uma loja de esportes. Entramos pra ver se não rolava uma bomba pra encher a bola, e nisso achamos uma camisa do Hammarby, que é verde e branco, por 200 kronas (mais ou menos 25 euros, ou uns 65 reais). Bem barata. Era a da temporada passada. Como estávamos ainda no sul, camisas do AIK só achamos lá embaixo junto com as outras do imperialismo futebolístico (Manchester United, Chelsea, Real Madrid, Barcelona etc). Custava 350 kronas a do AIK, preta e amarela. A da temporada atual do Hammarby era 600 kronas, linda, sem patrocínio nenhum. Não achamos bomba e saímos da loja.

Na rua do Kaffe 44, uma quadra antes dele, surpresa: uma quadra de futebol vazia, grama sintética, do tamanho de uma quadra de salão mais ou menos. Entramos e ficamos uns 20 minutos jogando gol a gol, com uma bola na trave de cada lado e nenhum gol, hehehe. Futebol solitário na Suécia, nenhuma alma pra nos acompanhar no jogo. Aliás, os suecos gostam de futebol, mas vimos poucas camisas de time pelas ruas. Andamos mais uma quadra e chegamos no Kaffe 44: muitos flyers, adesivos, stickers, anúncios de shows, mas estava fechado, só reabriria dia 14 de agosto. Pelo que nos contou depois Amanda, grande parte dos anarquistas daqui está em Copenhaguen, para um encontro anarquista escandinavo. Azar.

A próxima parada seria a cidade velha, maior atração turística da cidade, com ruas de paralelepípedo, antigas, casas baixas de no máximo 4 andares (a mãe de Amanda nos disse que derrubaram todas as casas nos anos 60 e reconstruíram, deixando do jeito que está até hoje). Bonito, me lembrou um pouco filmes medievais e outro pouco o centro velho de São Paulo. Lá vimos um cara bem suspeito, com camisa com cruz celta, tattoos com cruz celta, parecia muito um nazi. Me olhou mas nem encarou muito. Continuamos olhando no mapa gay pelos próximos lugares a visitar e nos perdemos um pouco pra chegar nas Três Coroas, a sede da prefeitura. Nisso passamos por uma ilhazinha menor onde funcionavam órgãos jurídicos, essa sim bem medieval, e na linha do trem vimos metade de um machado quebrado junto a um bando do que pareciam ser trabalhadores portuários bastante bêbados. Muito bêbados mesmo, mas sem inspirar muito medo. Na cidade velha ainda vimos, atracado no porto, um barco/balada enorme e um outro que consta no mapa gay da cidade, barco/balada gay, chamado Patricia.

Cansados pra caralho de toda a andança, finalmente achamos as Três Coroas. Dava pra subir e ver a cidade lá de cima, mas custava um molho de tomate e meio, então nem subimos. Ao invés disso sentamos junto aos turistas, funcionários da prefeitura e cidadãos comuns que estendem cangas na frente e ficam tomando sol, molhando os pés em um dos braços do mar Báltico que circundam as ilhas. Ali não se pode nadar, mas em outros pontos da cidade sim. A qualidade de vida aqui é inacreditável mesmo, puta merda. Nadar em São Paulo só se for em piscina paga, em prédio de condomínio, casa de rico ou em alguns poucos clubes da prefeitura que ainda são gratuitos – além dos CEUs. Ficamos lá observando gente andar de jet sky, outros de caiaque, até resolvermos procurar a estação de metrô mais próxima pra ir embora. Tínhamos combinado com Amanda às 19h na casa dela, pra jantar na casa de sua mãe, Stina (apelido pra Cristina), uma das pessoas mais foda que conhecemos até aqui no rolê. No metrô, mais uma cena inusitada: duas criancinhas suecas, extremamente loiras, uma delas com boné do MST. O pai aparentava ser sueco, a mãe não estava. Quando finalmente consegui tirar uma foto sem ser notado, o que estava de boné foi até a mochila, pegou outro boné do MST e pôs no irmão. Tive que tirar outra foto.

Chegamos na casa da Amanda antes dela e aproveitamos pra tirar um cochilo, cansados pra caralho. Ela chegou com o “meio amigo meio namorado” dela, como ela mesma disse, Ludwig, que vive em Uppsala (norte da Suécia) e curte futebol pra cacete. Não torce pra nenhum time daqui de Estocolomo, joga futebol num time chamado FEAS (que significa algo como Sociedade dos Apreciadores de Fritz Eger, a cerveja mais barata que tem aqui) e explicou pra gente uma pá sobre os times da cidade. Fora o Hammarby e o AIK (cujos hooligans são brigões e por conta disso a empresa que comprou o naming rights do estádio novo que estão construindo resolveu batizá-lo de “Friends Stadion”, hahahahaha), tem um time da elite chamado Djurgarden IF e mais um time menor, de uma comunidade turca católica (assírios pelo que eu entendi) chamado Assyrians FK ou algo do tipo[4]. Assim como o Athletic Bilbao, só aceita jogadores assírios, e parece que existe uma vontade de ter um país próprio desde que eles foram expulsos/imigraram da Turquia ou algo do tipo. Historiadores, geógrafos, boleiros, corrijam as possíveis besteiras que eu escrevi aí em cima porque sem internet fica difícil investigar mais a fundo[5].

Fomos jantar na casa da Stina e ela mais uma vez nos recebeu muito bem. A irmã de Amanda, Anna, também estava lá com o namorado, que é tipo um Hell’s Angel, motoqueiro e tal. Ela está grávida de três meses e não participou muito do encontro. Stina preparou um jantar sueco pra gente, com uma torta de batata ótima, pão com um purê que vai alho, dois tipos de saladas e bolo de chocolate (já falei do chocolate sueco, né?) com berries. Conversamos sobre muita coisa: Maradona, Malvinas, gol de mão, narração do gol mais lindo das copas, qualidade de vida em Estocolmo e em São Paulo (foi difícil responder quando ela disse “ok, vocês disseram tudo que tem de ruim em SP, mas e de bom?”), sistema educacional, privatização da educação, Lula, terceira via, a história do Start FC na Kiev ocupada[6], brigas famosas do futebol como as envolvendo Maradona no Barcelona e as de Chile x Itália em 1962. Stina se interessa por muita coisa, toca piano pra caramba, tocou dois pedaços de músicas brasileiras (não me peçam pra identificar hehehe). Tomamos também vinho e, antes de tudo isso, uma bebida que é tipo um champanhe com berries que tem uma tradição de dar boa sorte.

Ella, a cachorrinha, ainda não deu a luz, mas tá cada vez maior e mais devagar, como quem está se preparando mesmo. Muito louco de ver, me lembrou da minha cachorra She-Ra e suas ninhadas. Stina também nos contou de uma amiga, Svetlana, de 76 anos, ativista política que está em todos os protestos (que ela acredita, claro) e que é tipo referência pros ativistas daqui, disse que ela ia curtir conhecer a gente mas não tá morando em Estocolmo. Aproveitei a internet e li um email que a Ivana me mandou da Itália dizendo que os tunisianos foram parte extraditados, sendo que dois deles foram reenviados pra dois CIEs diferentes. Ela tava bem chateada, triste e com raiva, querendo botar fogo em tudo, ao que eu disse que ajudaria, hehe. Espero não acabar parando num CIE. Allan e eu aproveitamos também pra ver a agenda de jogos do St. Pauli[7] e descobrimos que o único jogo que poderíamos ver deles em casa é um amistoso dia 28 contra o Aberdeen. Só que vamos chegar em Berlin dia 27 à noite, então teríamos que conseguir ir até Hamburgo dia 28 pela manhã e ainda arranjar ingresso (no site não diz nada, se pá é até de graça). Escrevemos pra alguns CouchSurfers de Hamburgo pra ver se alguém consegue nos ajudar.

Por volta de 23h saímos de lá pra ir numa balada embaixo de uma ponte (a mesma onde achamos a bola). Balada grátis depois da meia noite, com a juventude alternativa/hipster/nem tanto sueca em peso. Tinha gente jogando ping-pong porque parece ser cool jogar ping-pong na balada. Como diria o Toro, “pesado”. Aqui não somos tão exóticos, os suecos são bem mais miscigenados que os lituanos, mas mesmo assim foram muitos olhares trocados. Cerveja cara: uma garrafinha de cerveja com 3.5% de álcool eu acho, 2 molhos de tomate. A primeira eles pagaram pra gente, a segunda eu e Allan fomos comprar e tinha uma mina atrás da gente beeem branca com uma pele linda e a gente comentou isso e ela olhou, Allan falou “espero que ela não entenda português”, ela riu, ele disse “é, acho que ela entende” e ela disse, “não fala português”, sorrindo. Era uma mina alta, grande, trocamos um pouco de idéia, Allan foi explicar que estávamos falando que a pele dela era bem bonita e se atrapalhou um pouco, disse “estávamos falando que sua pela era… era muito…” e ela competou “branca, NÉ”, e riu. Falou que gostaria de conhecer o Brasil e voltamos pros nossos amigos. Antes, porém, deixei o troco da cerveja cair no chão e quando abaixei pra pegar achei 25 kronas. Quase um molho de tomate! Taí a sorte do drink na casa da Stina…

Amanda me apresentou pra alguns amigos. Uma mina da minha altura com parentes em São Paulo. Conversei com ela uns 5 minutos, e me veio uma questão interessante que me parece ter muita relação com poder e gênero: falar com uma pessoa da sua altura é bem diferente do que com uma menor que você. Olho no olho, nada de olhar pra baixo, de submeter a outra pessoa com o corpo. Outra amiga apresentada, amiga também da Tové: Brinda. Parecida com a Tové no sorriso e no jeito, mas de cabelo preto. Assim como Tové, vai pra Londres em outubro pra estudar “politics”. Troquei uma idéia legal com ela, bem crítica à acomodação escandinava quanto à pobreza do resto do mundo, militante feminista, foi legal. Lá pelas 2h40, foi embora porque iria trabalhar às 9h, mas prometeu que ia nos encontrar no dia seguinte, falou também pra gente visitar ela e a Tové em Londres, hehe. Tové e Victor também já tinham ido embora, e a balada ia terminar 3h. Ficamos Allan, eu, Amanda e Ludwig, que é um cara muito firmeza, se encaixaria completamente no Auto e na Casa Mafalda. Conversei com ele sobre a vida e ele contou como enquanto o plano de vida dos amigos dele era trabalhar muito e ganhar dinheiro, o dele era trabalhar o menos possível. Odeia trabalhar, e por conta disso dei um abraço nele e disse que ele era um dos nossos. Na comparação (desnecessária, eu sei) de namorados, Ludwig ganha de muito longe do Victor, que tá mais pra um estudante de ciências sociais pedantezinho e arrogante. Ludwig curte o Hammarby, disse que se fosse pra torcer pra um time aqui seria esse, e em Uppsala jogou a vida inteira pelo Sirius IK, que é o time do coração dele e joga na terceira divisão sueca. Victor torce pro AIK, que é bem mais burguesinho. 

Ludwig também contou de um amigo que foi pra América do Sul a princípio passar seis meses e estudar espanhol, acabou se apaixonando por uma chilena, teve dois filhos com e ela e agora, depois de cinco anos, está voltando pra Suécia com a família. O casamento será sábado e Ludwig será um dos padrinhos. Esse amigo dele passou por uma situação bizarra no Chile: foi trampar de bartender num bar chileno e na primeira noite descobriu que era um bar nazi. Rolou uma puta festa nazi no bar e ele se desentendeu com um nazi chileno, o cara queria beber e ele mandou o cara ir embora porque já tava bêbado, cara enorme o nazi, mas no fim acabou falando que ele tinha razão e era melhor ir embora mesmo. Tenso, bem tenso. 

Saímos da balada e como eram 3h20 não tinha mais metrô. Fomos pro ponto de ônibus, céu claro, sol quase raiando, o terceiro ônibus que passou foi o nosso. Um pouco cheio, o motorista não parou no ponto. O nível de assombro da galera foi inacreditável: Ludwig pôs as mãos na cabeça com cara de “EU NÃO ACREDITO!”, como se o Ibrahimovic tivesse perdido um gol embaixo da trave aos 49 do segundo da semifinal de uma Copa. Todos se entreolhavam estupefatos. Alguns, entretanto, tinham corrido atrás do busão, e o motorista parou quase uma quadra depois. Corremos e entramos no ônibus, ficando na porta, junto a uma mina de óculos que nos olhava o tempo todo. O motorista, que apesar de ser negro não suscitou nenhum xingamento racista (que a gente tenha notado), tava locão e parou fora de TODOS os pontos, fazendo todo mundo gritar “VAI DESCEEEEEER” (em sueco claro) em cada um deles. Eu e Allan ríamos um monte, e a mina de óculos falou em português (mais uma!):

– Fala português?

Respondemos em inglês e ela contou que já tinha ido pro Brasil, mas pro Rio, em 2005, e perguntou pra onde mais íamos. Não falava português, só reconheceu mesmo. Dissemos que íamos pra Berlin, e ela disse pra procurar os clubes secretos de Berlin, que era onde tinham as melhores baladas. Pra perguntar na rua e tal. Descemos logo depois e eu fiquei pensando que os suecos tem ouvido bom pra português. Por volta de 4h da manhã, fomos dormir, Allan, eu, Amanda e Ludwig. O dia seguinte prometia ser de futebol: Ludwig queria jogar, e eu conhecer o Stockholm Stadion.

E quem sabe arranjar um teste no Hammarby, porque não? Jogo de verde e branco sem problemas, hehehe…


[1] Pior que é mesmo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ericsson_Globe

[2] Esse estádio, chamado Söderstadion, foi desativado em 2013, depois da construção de uma maldita arena para o Hammarby jogar. Mais sobre ele, em inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/S%C3%B6derstadion

[3] Saudoso site brasileiro que cobria o futebol sul-americano. Escrevi para eles sobre o Corinthians por alguns anos.

[4] Na verdade o nome é Assyriska FF e o time é reconhecido como sendo a seleção assíria de futebol: https://pt.wikipedia.org/wiki/Assyriska_Fotbollf%C3%B6rening e https://en.wikipedia.org/wiki/Assyriska_FF

[5] Sobre os assírios e sua diáspora: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ass%C3%ADrios

[6] Uma das histórias mais foda sobre futebol e guerra: https://trivela.com.br/os-75-anos-do-jogo-da-morte-uma-das-historias-mais-miticas-e-mais-mitificadas-do-futebol/

[7] Time profissional alemão antifascista, uma das maiores referências à esquerda do futebol mundial: https://medium.com/puntero-izquierdo/st-pauli-o-clube-que-vai-al%C3%A9m-b58c69b63cba

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