45 dias de norte: dois punks brasileiros sem dinheiro pela Europa – dia 46

Em 2012, fiz uma viagem sem muito dinheiro junto com um amigo pela Europa, abusando de hospedagem solidária, comida barata, comida grátis, comida do lixo e de vez em quando comida boa.

Na época, escrevi um diário, agora publicado dia por dia neste blog.

Dia 46 – Conexão Milão – Bicudão

Não, eu não acordei atrasado. Acordei na hora certinha, saí na hora certinha, Allan me ajudou a passar as malas pelo portão, sem chuva. Muitas malas, aliás. Peguei o metrô, tudo direitinho, cheguei no ônibus um pouco atrasado, seria o das 7h30 mas mesmo assim dava tempo de sobra. Coloquei as malas no bagageiro, entrei, sentei, respirei, descansei e peguei a passagem pra checar os horários – pela décima vez. E foi aí que a vaca foi pro brejo.

Meu vôo não era 9h30, era 8h, 9h30 era a hora em que chegava em Paris, ponto de conexão. CARALHO! Comecei a me desesperar, mas percebi que nem adiantava. Sentei a bunda na cadeira e pensei, vou pro aeroporto. Se der sorte o vôo atrasou, se não eu me viro por lá mesmo. Não tinha mais muita grana, mas tinha alguma. Em último caso ligava pro banco e pedia pra desbloquearem o cartão. 

Cheguei em Linate e corri pro balcão da AirFrance. Perguntei o que fazer e a atendente me direcionou pro guichê de bilhetes da companhia. Lá, uma funcionária um pouco estressada primeiro conseguiu um vôo pra mim saindo sábado de manhã e chegando sábado de noite. Mas quando ela imprimiu eu percebi que era pro Rio. Disse pra ela e ela pediu mil desculpas e achou outro vôo, saindo hoje mesmo, pra São Paulo, chegando sábado 6h da manhã. Tive que pagar 130 euros. Eu tinha 140 na carteira – a grana da venda das camisetas do Auto. Perfeito. Quer dizer, vai tomar no cu, gastar 130 euros a mais. Mas pelo menos não virei o Tom Hanks.

Ainda eram 8h30, o vôo sairia 20h35, então teria de esperar 12 horas no aeroporto. Acabaria encontrando o Allan, já que o vôo dele era 19h30. Juntei umas moedas, usei a internet cara pra caralho pra pedir pra alguém ligar pra minha mãe e avisar. Mandei email pra ela também. Tentei ligar pra ela, gastei 2 euros e a ligação caiu errado. Arrumei um carrinho pra carregar minhas malas, dei volta pelo aeroporto inteiro, decorei onde fica casa coisa. Tomei um café, sentei, dormi, acordei, dei mais uma volta pelo aeroporto.

Resolvi trocar as libras que tinha por euro, pra poder comer. O câmbio era muito ruim, perdi uns 4 euros. No caminho do pico onde ia comer, encontrei o Allan, que ficou surpreso de me ver. Pelo menos o amigo dele vai me dar carona de Guarulhos, economizo o dinheiro da minha mãe. Fomos pra lanchonete e comi dois pedaços de pizza bem grandes com um refrigerante. E zerei o dinheiro.

Depois disso, enrolamos no aeroporto até cada um se destinar ao seu vôo. O dele com conexão em Londres, o meu em Paris. E você pensa que acabou? Naaaada.

Primeiro, meu vôo pra Paris saiu com CINQUENTA minutos de atraso. Lembra do tamanho do aeroporto Charles de Gaulle? Então, já previ a impossibilidade de pegar a conexão a tempo e ter que passar a noite em Paris. Mas a AirFrance colocou pessoal próprio pra pegar as pessoas na saída do vôo e levar do jeito mais rápido até o outro vôo, e acabou dando tempo certinho. 

Entrei no avião e capotei lindamente. Dormi umas 8 horas, acordei faltando 3h30 pra chegar em São Paulo. Finalmente! Só que não, porque o aeroporto de Guarulhos estava fechado por conta da neblina e o avião pousou em Brasília pra reabastecer e esperar ele abrir. Pior: em Brasília, não pudemos sair do avião, ou seja, ficamos três horas sentados dentro dele. Terminei de ver o péssimo Fúria de Titãs e ainda assisti Prometheus, que é tipo um Alien zero. Ruim, bem ruim. Quando o avião finalmente decolou completei a porquice assistindo Avengers, que só vale a pena pelo drama psicológico do Hulk – embora não tenha dado tempo de ver até o final.

Aí chegamos em São Paulo e… acabou a viagem? Ainda não: a carona que o amigo do Allan ia dar já era – o Allan ficou quatro horas em Campinas por conta da neblina, chegou antes de mim e foi pra casa dos pais em Guarulhos de busão mesmo – e eu ia ter que carregar as quatro mochilas de metrô e trem até em casa. Fodeu né? Mas a AirFrance conseguiu foder mais ainda: nem as minhas malas nem as de outras dez pessoas chegaram, hahaha. Rir pra não esganar. E eles já sabiam que não tinham chegado essas malas, porque quando fomos reclamar já estavam com as desculpas prontas. Pegaram meu endereço e ficaram de entregar amanhã, quero só ver.

Cansado pra porra, só com a mochila e o Kick-Off, aproveitei que tava fodido mesmo e… fui pro Bicudão. Jogar pelo Auto. Do aeroporto pro Arizona lapeano, rever os amigos, contar histórias, me encher de terra e terminar o segundo tempo jogando no gol, em um jogo que terminou em empate – nosso, no último lance! – por 1 a 1 com o União Marechal, belo gol de falta do Zau. De quebra, já me deram a tabela da Copa Zen, que começa dia 15 de setembro. Mas isso é outra história.

Sul, tô de volta. Chega de Norte. E vamo Auto!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s